28 out 2010

Inibidores da 5-alfa-redutase reduzem o risco de câncer de próstata

Questão clínica

O quanto são eficazes os inibidores da 5-alfa-redutase (5ARI) para prevenir o câncer de próstata?

Resposta baseada em evidência

Os 5ARI reduzem o risco de câncer de próstata em homens submetidos à rotina de rastreio de câncer da próstata* pelo antígeno específico prostático (PSA) e exame de toque retal. Entretanto, é necessário tratar 71 homens com 55 anos ou mais (NNT) com um 5ARI por até sete anos para evitar um caso de câncer de próstata. Os efeitos foram consistentes quanto à idade, história familiar e etnia, mas limitados a homens com valores basais de PSA <4,0 ng/ mL. A duração dos estudos variou de 0,5 a 7 anos, com três ensaios registrando 24.969 homens e duração de quatro anos ou mais.

* A triagem de base populacional em homens não é recomendada na Nova Zelândia.

Alertas

Os 5ARI parecem aumentar o risco de câncer de próstata de alto grau (Gleason de 7-10). A disfunção erétil ou sexual (NND * 25) ou efeitos endócrinos, tais como ginecomastia (NND 50) e diminuição da libido (NND 33), foram mais comuns com a finasterida do que com o placebo. A informação foi insuficiente para avaliar o impacto sobre a mortalidade. O impacto dos 5ARI nas taxas absolutas ou relativas de câncer de próstata em homens que não estão sob triagem rotineira não está claro.

NND = número necessário para o tratamento causar danos no individuo. (Significa dizer que de cada 25 pacientes tratados com finasterida, um apresenta disfunção erétil ou sexual)

Contexto

O câncer de próstata é o segundo câncer mais comum em termos de incidência, e o terceiro mais comum em termos de mortalidade em homens da Nova Zelândia.1 Os 5ARI, como a finasterida e a dutasterida, são freqüentemente usados para tratar sintomas do trato urinário associadas a hipertrofia benigna da próstata e alopecia androgenênica. Eles têm potencial como agentes quimiopreventivos.

Número, Data de publicação e autoria da PEARL

Pearl n º 87, junho de 2008,  autoria:  Brian R McAvoy

Referência (estudo avaliado na PEARL – Cochrane Systematic Review)

Wilt TJ et al. Five-alpha-reductase inhibitors for prostate cancer prevention. Cochrane Reviews 2008, Issue 2. Art. No.: CD007091. DOI: 10.1002/14651858.CD007091.

Esta revisão inclui 13 estudos envolvendo 34.410 participantes.

Referência citada nesta Pearl:

1. Ministry of Health (MOH). Cancer in New Zealand: Trends and projections. Wellington: Ministry of Health, 2002.

Comentários sobre a aplicabilidade do estudo para APS no contexto do SUS, sob o ponto de vista clínico, de gestão da saúde e para o público em geral.

A modesta redução do risco proporcionado pelos 5ARI reforça o conflito entre generalistas e especialistas quanto ao uso da finasterida e similares em pacientes sob risco de câncer de próstata ou hiperplasia prostática benigna. Os dados não são suficientes para efetivar a prescrição de rotina, tampouco sua proscrição.

O balanço entre danos e benefícios deve ser cuidadosamente avaliado antes de disponibilizar tal medicamento na rede de saúde, considerando a necessidade do sistema de saúde se instrumentar para a abordagem das doenças crônicas. Avaliações econômicas devem ser realizadas no contexto da atenção primária.

Área temática que se aplica – BVS APS

Saúde do homem

Saúde do idoso

Tipo de profissional ao qual se destina a informação

Médico

Data de acesso à PEARL

25 de julho de 2010

Endereço de acesso à PEARL

http://www.cochraneprimarycare.org/sites/cochraneprimarycare.org/files/uploads/87_five-alpha-reductase%20inhibitors%20prostate%20cancer.pdf

28 out 2010

Antibioticoterapia de curta duração parece eficaz para pneumonia adquirida na comunidade em crianças menores

Questão clínica

Qual é a eficácia da antibioticoterapia de curta duração (três dias), em oposição a um curso mais longo (cinco dias) para pneumonia adquirida na comunidade não-grave em crianças de 2-59 meses?

Resposta baseada em evidência

A antibioticoterapia de curta duração é tão eficaz quanto um tratamento mais prolongado para pneumonia adquirida na comunidade não-grave em crianças de 2-5 anos. As taxas de cura clínica, falha do tratamento e a recidiva foram semelhantes nos dois grupos. Diferentes durações tanto da amoxicilina quanto do cotrimoxazol obtiveram resultados semelhantes.

Alertas

Estes resultados devem ser interpretados com cautela, porque são limitados pelo pequeno número de estudos disponíveis sobre o tema.

Contexto

A pneumonia é a principal causa de mortalidade em crianças menores de cinco anos. A duração recomendada do tratamento varia entre 7 e 14 dias, mas isto não é baseado em evidências empíricas. Uma menor duração do tratamento, se efetiva, pode ser particularmente importante em contextos de escassez de recursos, onde exista um alto risco de morte, pouco acesso a medicamentos e cuidados de saúde, e orçamentos limitados para os medicamentos.

Número, Data de publicação e autoria da PEARL

Pearls n º 86, agosto de 2008, autoria: Brian R McAvoy

Referência (estudo avaliado na PEARL – Cochrane Systematic Review)

Haider BA et al. Short-course versus long-course antibiotic therapy for non-severe community-acquired pneumonia in children aged 2 months to 59 months. Cochrane Reviews 2008, Issue 1. Art. No.: CD005976. DOI:10.1002/14651858.

Esta revisão inclui três estudos envolvendo 5.763 participantes.

Comentários sobre a aplicabilidade do estudo para APS no contexto do SUS, sob o ponto de vista clínico, de gestão da saúde e para o público em geral.

Dois fatores principais devem ser levados em conta ao se considerar os resultados desta revisão: o menor custo do tratamento, com conseqüências para o Sistema Público de Saúde e para o orçamento familiar; e a maior adesão ao tratamento, tendo em vista que a administração supervisionada pelo cuidador e a resistência na aceitação oral são especificidades da infância.

É fundamental, neste caso, a definição clara do que é uma pneumonia “não-grave” em crianças, antes de se considerar o tratamento de curta duração. Somente um profissional de saúde está apto a definir o que é um quadro de pneumonia comunitária não-grave em crianças.

Área temática que se aplica – BVS APS

Saúde da criança

Tipo de profissional ao qual se destina a informação

Médico

Enfermeiro

Data de acesso à PEARL

25 de julho de 2010

Endereço de acesso à PEARL

http://www.cochraneprimarycare.org/sites/cochraneprimarycare.org/files/uploads/86_short-course%20antibiotic%20young%20children.pdf

28 out 2010

Nenhuma evidência de que drogas anticonvulsivantes previnam convulsões em pessoas com tumores cerebrais

Questão clínica

O quanto são efetivos e seguros os anticonvulsivantes na prevenção de crises em pessoas com tumores cerebrais?

Resposta baseada em evidência

As drogas anticonvulsivantes fenitoína, fenobarbital e divalproato de sódio, comparados com placebo ou nenhum tratamento, não foram mais ou menos eficazes na prevenção de uma primeira convulsão em 404 pessoas com tumores cerebrais.

Alertas

O risco de efeitos adversos, como náuseas, erupção cutânea, gengivas doloridas, mielossupressão, vertigem, visão turva, tremores e instabilidade da marcha foi maior para aqueles que usaram anticonvulsivantes (NND * 3). Não foram identificados estudos avaliando o uso das novas drogas anticonvulsivantes. Drogas anticonvulsivantes podem também interagir com quimioterápicos e corticosteróides.

NND = número necessário para o tratamento causar danos em um indivíduo. (ou, em outras palavras, de cada três pessoas tratadas com anti-epiléticos, uma tem dano).

Contexto

Até 60% das pessoas com tumores cerebrais podem apresentar convulsões, ou podem ter uma convulsão pela primeira vez após o diagnóstico ou neurocirurgia. O risco de convulsões varia de acordo com o tipo e a localização do tumor no cérebro. Convulsões têm um impacto negativo na qualidade de vida, afetando atividades da vida diária, a independência, o trabalho e a condução de veículos.

Número, Data de publicação e autoria da PEARL

Texto

Referência (estudo avaliado na PEARL – Cochrane Systematic Review)

Tremont-Lukats IW et al. Antiepileptic drugs for preventing seizures in people with brain tumours. Cochrane Reviews 2008, Issue 2. Art. No.:CD004424. DOI: 10.1002/14651858. CD004424.pub2.

Esta revisão inclui cinco ensaios clínicos que envolveram 404 participantes.

Comentários sobre a aplicabilidade do estudo para APS no contexto do SUS, sob o ponto de vista clínico, de gestão da saúde e para o público em geral.

Esta revisão joga por terra mais uma indicação “profilática” de anticonvulsivantes. Pacientes com tumores cerebrais com ou sem cirurgia não se beneficiam de anticonvulsivantes profiláticos. Isto tem impacto no acompanhamento destes pacientes, já que o uso do anticonvulsivante carrega consigo uma carga de estigma considerável.

O gestor deve favorecer a comunicação entre atenção especializada e atenção primária no sentido de qualificar a conduta de ambos e criar linhas de cuidado não conflitantes, em que estas informações se façam presentes.

O tumor primário de encéfalo representou em 2007 3,9% de todas as mortes por câncer em homens, e 4,2% em mulheres (dados do Inca).

Área temática que se aplica – BVS APS

Saúde da criança

Saúde do adulto

Saúde do idoso

Tipo de profissional ao qual se destina a informação

Médico

Data de acesso à PEARL

25 de julho de 2010

Endereço de acesso à PEARL

http://www.cochraneprimarycare.org/sites/cochraneprimarycare.org/files/uploads/84_antiepileptic%20drugs%20brain%20tumours.pdf

28 out 2010

Ensaios clínicos sujeitos a vieses de publicação

Questão clínica

A publicação de ensaios clínicos é influenciada pela significância estatística, percepção da importância ou direção de seus resultados?

Resposta baseada em evidência

Ensaios com achados positivos são publicados com mais freqüência e mais rapidamente do que os ensaios com achados negativos. Os autores da revisão previram que se 41% dos testes negativos foram publicados eles podem esperar 73% de testes positivos publicados. O tamanho do estudo e as fontes de financiamento, classificação acadêmica e gênero do investigador principal não parecem influenciar se um experimento foi publicado. O registro prospectivo de todos os ensaios clínicos no início e antes de os seus resultados se tornarem disponíveis permitiria autores de revisão saberem quando os ensaios relevantes foram realizados, para que eles pudessem pedir os investigadores responsáveis por dados relevantes dos estudos.

Alertas

Estas revisões sistemáticas conduzidas deveriam garantir a avaliação dos possíveis problemas de viés de publicação, em sua revisão, e considerar métodos para resolver este problema, garantindo uma ampla pesquisa para tanto ensaios publicados quanto não publicados.

Contexto

A tendência dos autores para submeter artigos, e de revistas para aceitar manuscritos para publicação, com base na direção e força dos resultados do estudo foi denominada “viés de publicação”. Tal viés pode ameaçar a validade das conclusões de uma revisão sistemática.

Número, Data de publicação e autoria da PEARL

Pearl nº 164, abril de 2009,  autoria:  Brian R McAvoy.

Referência (estudo avaliado na PEARL – Cochrane Systematic Review)

Hopewell S et al. Publication bias in clinical trials due to statistcal significance or direction of trial results. Cochrane Reviews 2009, Issue 1. Article No. CD000006. DOI: 10.1002/14651858. CD000006.pub3.

Esta revisão inclui cinco estudos envolvendo 750 ensaios clínicos.

Comentários sobre a aplicabilidade do estudo para APS no contexto do SUS, sob o ponto de vista clínico, de gestão da saúde e para o público em geral.

A não publicação de estudos com achados negativos, além de não contribuir para o avanço da ciência, prejudica o conhecimento de todos os fatores relacionados a prevenção, propedêutica e tratamento de pacientes.

O “viés de publicação” interfere na prática clínica, e nas próprias revisões sistemáticas. É necessário ter em mente que mesmo elas estão sujeitas a falhas, especialmente por dificuldade de acesso a estudos disponíveis (por idioma, acesso ou meios de publicação).

Área temática que se aplica – BVS APS

Saúde da família

Tipo de profissional ao qual se destina a informação

Médico

Enfermeiro

Dentista

Psicólogo

Gestor

Reabilitação

Data de acesso à PEARL

25 de julho de 2010

Endereço de acesso à PEARL

http://www.cochraneprimarycare.org/sites/cochraneprimarycare.org/files/uploads/PEARLS/164_Clinical%20trials%20subject%20to%20publication%20bias.pdf

28 out 2010

Dados suficientes sobre os efeitos clínicos da terapia com laser de baixa potência para lombalgia

Questão clínica

A terapia com laser de baixa intensidade (LLLT) é eficaz em pacientes com dor lombar inespecífica?

Resposta baseada em evidência

LLLT, quando comparada com tratamento placebo, pode ser benéfica para o alívio da dor e reduzir a incapacidade em doentes com dor não específica lombar subaguda ou crônica, embora os efeitos do tratamento sejam pequenos. No entanto, quando LLLT é adicionada a exercício e comparada com a fisioterapia com exercício com ou sem tratamento simulado, parece haver pouca ou nenhuma diferença entre os grupos quanto à dor e incapacidade. Portanto, a LLLT não deve ser substitutiva para outras intervenções benéficas, tais como o exercício intenso e programas de tratamento multidisciplinar de dor, que são apoiados por fortes evidências.

Alertas

Com base na heterogeneidade das populações, intervenções e grupos de comparação, pequeno tamanho das amostras e do efeito clínico, não há dados suficientes para tirar conclusões definitivas sobre os efeitos clínicos de LLLT para a dor lombar. A revisão foi incapaz de determinar uma dose ideal, técnicas de aplicação ou duração do tratamento com as evidências disponíveis. Todos os estudos incluídos eram pequenos, com tamanhos de amostra variando de 20 a 80.

Contexto

A LLLT é usada por alguns fisioterapeutas para tratar dor lombar. O laser é um tratamento não-invasivo por fonte de luz que gera um único comprimento de onda da luz. Ele não emite calor, som ou vibração. É também chamado de Fotobiologia ou bioestimulação. Acredita-se que a LLLT afeta a função das células do tecido conjuntivo (fibroblastos), acelera o reparo do tecido conjuntivo e age como um agente anti-inflamatório. Lasers com comprimentos de onda diferentes, variando de 632-904 nm, são usados no tratamento de distúrbios músculo-esqueléticos.

Número, Data de publicação e autoria da PEARL

Pearls n º 82, agosto de 2008,  autoria:  Brian R McAvoy.

Referência (estudo avaliado na PEARL – Cochrane Systematic Review)

Yousefi-Nooraie R et al. Low level laser therapy for non-specific low-back pain. Cochrane Reviews 2008, Issue 1. Art. No.: CD005107.DOI:10.1002/14651858.CD005107.pub4.

Esta revisão inclui sete estudos envolvendo 547 participantes.

Comentários sobre a aplicabilidade do estudo para APS no contexto do SUS, sob o ponto de vista clínico, de gestão da saúde e para o público em geral.

Com a expansão dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família e participação ativa da equipe de reabilitação na Atenção Primária, é necessário que os gestores tenham clareza acerca de quais tecnologias devem estar presentes na Atenção Primária.

A evidência disponível não demonstra superioridade do laser de baixa intensidade sobre a fisioterapia por exercícios, e esta é uma tecnologia leve de menor custo. Esta revisão deve ser levada em conta pela equipe de saúde da família e do NASF ao propor terapêuticas ao paciente.

A dor lombar é um problema de alta prevalência na Atenção Primária e sua importância se impõe pela freqüência. Assim, é necessário um plano de cuidados que envolva terapêuticas facilmente acessíveis, de baixo custo e passíveis de atingir o maior número possível de pacientes. A fisioterapia motora é preferível ao laser, quando indicada.

Área temática que se aplica – BVS APS

Saúde do adulto

Saúde do idoso

Tipo de profissional ao qual se destina a informação

Médico

Enfermeiro

Fisioterapeuta

Terapeuta ocupacional

Data de acesso à PEARL

24 de julho de 2010

Endereço de acesso à PEARL

http://www.cochraneprimarycare.org/sites/cochraneprimarycare.org/files/uploads/82_insufficient%20data%20laser%20therapy%20low-back%20pain.pdf

28 out 2010

O aconselhamento médico isolado só tem um efeito pequeno sobre a cessação do tabagismo

Questão clínica

Qual é a eficácia do aconselhamento isolado dos médicos sobre o fumo na promoção da cessação do tabagismo?

Resposta baseada em evidência

O aconselhamento médico tem um pequeno efeito sobre as taxas de abandono do tabagismo. Partindo de uma taxa de 2% de cessação sem qualquer assistência em 12 meses em populações de usuários da atenção primária, a intervenção de aconselhamento mínimo pode aumentar a cessação em mais 1-3% (NNT médio * 34). Componentes adicionais parecem ter um efeito apenas pequeno, embora haja um pequeno benefício adicional de intervenções mais intensivas, incluindo o uso de apoio e de uma terapia comportamental mais intensiva, em comparação com as intervenções muito breves. Fornecer suporte de acompanhamento após o aconselhamento pode aumentar as taxas de cessação ligeiramente (NNT médio 16).

* NNT = número necessário para tratar para beneficiar um indivíduo (ou, em outras palavras, é necessário aconselhar 34 pacientes para promover uma cessação do tabagismo)

Alertas

Os estudos incluídos requereram um seguimento mínimo de pelo menos seis meses. Os ensaios foram excluídos se o aconselhamento envolveu alguma forma de terapia de reposição de nicotina, ou quando o conselho para parar de fumar foi incluso como parte de um aconselhamento multifatorial sobre o estilo de vida (por exemplo, incluindo aconselhamento dietético e de exercício). Não houve evidência suficiente para tirar quaisquer conclusões sobre o efeito da motivação, em oposição ao aconselhamento simples, ou entre os diferentes estilos de aconselhar. Apenas dois estudos determinaram o efeito do aconselhamento sobre tabagismo na mortalidade – não houve diferença significativa nas taxas de mortalidade em 20 anos de seguimento entre os aconselhados e não aconselhados ou sob cuidados usuais.

Contexto

Os profissionais de saúde muitas vezes aconselham os pacientes a melhorar a sua saúde através da cessação do tabagismo. Esse aconselhamento pode ser sucinto, ou parte de intervenções mais intensivas.

Número, Data de publicação e autoria da PEARL

Pearls n º 81, agosto de 2008,  autoria:  Brian R McAvoy

Referência (estudo avaliado na PEARL – Cochrane Systematic Review)

Stead LF et al. Physician advice for smoking cessation. Cochrane Reviews 2008, Issue 1. Art. No.: CD000165. DOI:10.1002/14651858.CD000165.pub3.

Esta revisão inclui 41 estudos, realizados entre 1972 e 2007, envolvendo mais de 31 mil fumantes.

Comentários sobre a aplicabilidade do estudo para APS no contexto do SUS, sob o ponto de vista clínico, de gestão da saúde e para o público em geral.

Medidas de intervenção ao tabagismo devem ser sistematizadas e baseadas nas ações que apresentem melhor evidência em relação a resultados e desfechos principais e melhor custo-efetividade e eficácia.

O simples aconselhamento médico não é capaz de mudar comportamentos isoladamente, tendo um efeito modesto na cessação do tabagismo.

Intervenções efetivas incluem a participação em grupos de cessação do tabagismo, reposição nicotínica e uso de ansiolíticos quando indicados. O programa de cessação do tabagismo proposto pelo Instituto Nacional do Câncer apresenta todas estas possibilidades e os meios mais eficazes podem ser oferecidos nas Unidades de Atenção Básica. O programa está disponível no sítio eletrônico do Inca: http://www1.inca.gov.br/tabagismo/

Área temática que se aplica – BVS APS

Saúde do adulto

Saúde do homem

Saúde mental

Tipo de profissional ao qual se destina a informação

Médico

Enfermeiro

Gestor

Data de acesso à PEARL

24 de julho de 2010

Endereço de acesso à PEARL

http://www.cochraneprimarycare.org/sites/cochraneprimarycare.org/files/uploads/81_physician%20advice%20smoking%20cessation.pdf

28 out 2010

Medidas de controle do ácaro na poeira doméstica não reduzem os sintomas da asma

Questão clínica

As medidas de controle de antígenos do ácaro da poeira domiciliar são eficazes em pacientes com asma ácaro-sensível?

Resposta baseada em evidência

Medidas para controlar antígenos do ácaro na poeira da casa de doentes asmáticos sensíveis ao ácaro não causaram nenhum efeito sobre o fluxo de pico expiratório, escores dos sintomas de asma, ou uso de medicação. As medidas incluíram acaricidas, capas para colchões, aspiração, ventilação, resfriamento, lavagem, filtração de ar, ionizadores e combinações destas medidas.

Alertas

Apesar de muitos estudos de qualidade fraca, e a expectativa de exagero no efeito relatado, a revisão não encontrou nenhum efeito nas intervenções. A redução do ácaro foi determinada de diferentes maneiras nos vários estudos.

Contexto

O principal alérgeno da poeira domiciliar vem de ácaros. Métodos químicos, físicos e combinados de redução dos níveis de alérgenos de ácaros são destinados a reduzir os sintomas da asma em pessoas que são sensíveis a ácaros da poeira doméstica.

Número, Data de publicação e autoria da PEARL

Pearl n º 80, agosto de 2008, autoria: Brian R McAvoy

Referência (estudo avaliado na PEARL – Cochrane Systematic Review)

Gotzsche PC and Johansen HK. House dust mite control measures for asthma. Cochrane Reviews 2008, Issue 1. Art. No.: CD001187. DOI: 10.1002/14651858.CD001187.pub3

Esta revisão inclui 54 estudos envolvendo 3.002 participantes.

Comentários sobre a aplicabilidade do estudo para APS no contexto do SUS, sob o ponto de vista clínico, de gestão da saúde e para o público em geral.

Este estudo tem papel relevante nas orientações oferecidas por profissionais da Atenção Primária a pacientes asmáticos e seus familiares. A ausência de evidências obtidas neste estudo, aponta para a possível ineficácia do controle do ácaro na melhora de sintomas de asma. Assim, a adoção de tais medidas deve ser ponderada junto aos familiares, uma vez que podem provocar restrições domiciliares, algumas onerosas ou que interferem diretamente na dinâmica familiar e, de acordo com o presente estudo, se mostrariam inefetivas para o manejo da asma.

Área temática que se aplica – BVS APS

Saúde da criança

Saúde do adulto

Saúde do jovem e adolescente

Tipo de profissional ao qual se destina a informação

Médico

Enfermeiro

Agente comunitário de saúde

Data de acesso à PEARL

24 de julho de 2010

Endereço de acesso à PEARL

http://www.cochraneprimarycare.org/sites/cochraneprimarycare.org/files/uploads/80_house%20dust%20mite%20asthma%20symptoms.pdf

28 out 2010

O espaçador artesanal é eficaz na prestação de terapia broncodilatadora em crianças com asma ou sibilo agudo

Questão clínica

O quanto são eficazes os espaçadores caseiros (feitos com garrafas PET, copos de isopor, sacos plásticos zip-up) na administração de terapia broncodilatadora em crianças com exacerbações agudas de sibilância ou asma?

Resposta baseada em evidência

A revisão não identificou diferenças entre o espaçador produzido comercialmente e o espaçador caseiro para a administração de beta 2 agonistas, através de um inalador dosimetrado (ID) para crianças menores de 18 anos, com agudizações de asma ou sibilos. Os desfechos estudados incluíram internação hospitalar, alterações na saturação de oxigênio, escore clínico, as alterações nas taxas de pico de fluxo expiratório, e necessidade de tratamento adicional.

Alertas

Deve-se tomar cuidado na interpretação e aplicabilidade dos resultados devido ao pequeno número de ensaios clínicos randomizados, devido a poucos eventos disponíveis compatíveis com os critérios de inclusão na revisão, e devido à ausência de desfechos primários de interesse e outros resultados clinicamente importantes na maioria dos estudos incluídos. Dada a pequena amostra total e intervalos de confiança amplos, a equivalência entre os tratamentos não pode ser reivindicada.

Contexto

A asma é uma das principais causas de morbidade1 e incapacidade2 na infância, com exacerbações agudas da doença, sendo um motivo comum para admissão nos serviços de emergência e internações hospitalares3. A terapia inalada através de um ID com espaçador associado, é cada vez mais reconhecido como o melhor método de administração de beta 2 agonistas de ação rápida para a exacerbação aguda de asma ou sibilância.

Número, Data de publicação e autoria da PEARL

Pearl No. 79, julho de 2008, autoria:  Brian R McAvoy.

Referência (estudo avaliado na PEARL – Cochrane Systematic Review)

Rodriguez C et al. Commercial versus home-made spacers in delivering bronchodilator therapy for acute therapy in children. Cochrane Reviews 2008, Issue 2. Art. No. :CD005536. DOI :10. 1002/14651858. CD005536.pub2.

Esta revisão contém seis estudos envolvendo 658 participantes.

Referências citadas nesta Pearl:

1. Braman SS. Chest 2006;130:4S-12S.

2. Newacheck PW et al. Archives of Paediatric and Adolescent Medicine 2000;154:287-293.

3. Akinbami LJ et al. Paediatrics 2002; 110:315-322.

Comentários sobre a aplicabilidade do estudo para APS no contexto do SUS, sob o ponto de vista clínico, de gestão da saúde e para o público em geral.

Não houve diferença entre os dispositivos, o que, entretanto, não confirma a similaridade entre espaçadores artesanais e comerciais. A despeito disto, o estudo é fundamental para a tomada de decisão na Atenção Primária, embasando cientificamente a prática de terapia inalatória com broncodilatadores não-comerciais, especialmente importantes para famílias de baixa renda.

Modelos desenvolvidos para pessoas de baixa renda também estão disponíveis no Brasil. Um deles é o Flumax, cuja eficácia foi demonstrada.

A similaridade da eficácia de broncodilatadores administrados por inaladores ou micronebulização também já foi comprovada. Uma revisão Cochrane demonstrou que não há diferença quanto a desfechos principais na administração de beta 2 agonistas para asma via inaladores ou nebulização em adultos e crianças.  Assim, é fundamental estimular o controle da asma através de beta-agonistas inalados domiciliares, reforçando a importância da revisão.

Área temática que se aplica – BVS APS

Saúde da criança

Saúde do jovem e sdolescente

Tipo de profissional ao qual se destina a informação

Médico

Enfermeiro

Data de acesso à PEARL

24 de julho de 2010

Endereço de acesso à PEARL

http://www.cochraneprimarycare.org/sites/cochraneprimarycare.org/files/uploads/79_homemade%20spacers%20children%20wheezing%20asthma.pdf

28 out 2010

Suplementos antioxidantes não reduzem a mortalidade

Questão clínica

O quanto são eficazes os suplementos antioxidantes sobre a mortalidade em ensaios clínicos randomizados de prevenção primária e secundária?

Resposta baseada em evidência

Comparados com placebo ou nenhuma intervenção, suplementos antioxidantes (beta-caroteno, vitamina A, vitamina C, vitamina E, ou selênio), não reduzem a mortalidade em estudos envolvendo participantes saudáveis (prevenção primária) ou participantes com doenças diversas (gastro-intestinais, cardiovasculares, neurológicas , oculares, dermatológicas, reumáticas, renais, endocrinológicas ou doenças não especificadas)1. Na verdade, vitamina A, beta-caroteno e vitamina E oferecidos isoladamente ou em combinação com outros suplementos antioxidantes aumentam significativamente a mortalidade.

Alertas

A revisão não avaliou suplementos de antioxidantes para o tratamento de doenças específicas (prevenção terciária), suplementos para pacientes com necessidade clínica comprovada de antioxidantes, ou os efeitos de antioxidantes contidos em frutas e legumes. Estes resultados sugerem que suplementos de antioxidantes devem ser considerados produtos medicinais e devem ser submetidos a avaliações suficientes antes de serem comercializados.

Contexto

O estresse oxidativo pode desempenhar um papel na patogênese do câncer e doenças cardiovasculares, principais causas de morte em países de média e alta renda1. Vários estudos observacionais têm mostrado uma associação positiva entre o maior consumo de frutas e verduras e o risco reduzido de doenças crônicas2. Muitas pessoas tomam suplementos de antioxidantes na crença de que eles irão melhorar a sua saúde3.

Número, Data de publicação e autoria da PEARL

Pearl No. 78, de Junho de 2008, autoria: Brian R McAvoy

Referência (estudo avaliado na PEARL – Cochrane Systematic Review)

Bjelakovic G et al. Antioxidant supplements for prevention of mortality in healthy participants and patients with various diseases. Cochrane Reviews 2008, Issue 2. Art. No.: CD007176. DOI: 10.1002/14651858.CD007176.

Esta revisão inclui 67 estudos envolvendo 232.550 participantes.

Referências citadas nesta Pearl:

1. Halliwell B. Lancet 2000 ;344 :721-724.

2. Willcox JK et al. Critical Reviews in Food Science and Nutrition 2004 ;44 :275-295.

3. Nichter M et al. Culture, Medicine and Psychiatry 2006 ;30 :175-222.

Comentários sobre a aplicabilidade do estudo para APS no contexto do SUS, sob o ponto de vista clínico, de gestão da saúde e para o público em geral.

É importante avaliar as evidências científicas para quaisquer medidas preventivas. Ações preventivas podem ser potencialmente danosas para os pacientes. A suplementação de antioxidantes vitamínicos é um exemplo claro de medidas preventivas ineficazes e que podem levar a maiores riscos que benefícios.

Área temática que se aplica – BVS APS

Saúde da família

Saúde do adulto

Saúde do idoso

Tipo de profissional ao qual se destina a informação

Médico

Enfermeiro

Nutricionista

Data de acesso à PEARL

24 de julho de 2010

Endereço de acesso à PEARL

http://www.cochraneprimarycare.org/sites/cochraneprimarycare.org/files/uploads/78_Antioxidant%20supplements%20mortality.pdf

28 out 2010

Não há evidências de tratamentos efetivos para a alopécia

Questão clínica

O quanto são eficazes são os tratamentos para a alopécia?

Resposta baseada em evidência

Não há nenhuma boa evidência experimental que qualquer tratamento forneça benefícios em longo prazo para pacientes com alopecia areata, alopecia totalis e alopécia universalis. Não há ensaios clínicos randomizados controlados sobre o uso de diphencyprone, dinitroclorobenzeno, corticóides intralesionais ou dithranol, apesar de serem comumente utilizados para o tratamento da alopecia areata. Da mesma forma, embora os esteróides tópicos e minoxidil sejam amplamente prescritos e pareçam seguros, não há evidências convincentes de que eles são benéficos em longo prazo.

Alertas

A maioria dos estudos foram pobremente relatados, e são tão pequenos que quaisquer benefícios clínicos são inconclusivos. Alguns dos tratamentos de pele podem ter efeitos colaterais desagradáveis, tais como prurido ou crescimento de pêlos em áreas do corpo fora de onde o creme foi aplicado. Os esteróides orais podem causar efeitos colaterais graves. Além disso, não há garantia de que qualquer cabelo crescido novamente durante o tratamento persistirá após o tratamento. Nenhum dos estudos solicitou aos participantes para relatarem sua opinião sobre o crescimento do cabelo ou se a sua qualidade de vida melhorou com o tratamento.

Contexto

Alopecia areata é uma doença que causa perda desigual de cabelo. O tamanho e número de manchas, e o progresso da doença podem variar entre as pessoas. Pode afetar todo o couro cabeludo (alopecia totalis) ou causar a perda de todos os pêlos do corpo (alopecia universal). É uma condição relativamente comum, afetando a 0,15% da população. Embora em muitos casos possa ser uma condição auto-limitada, a perda de cabelos muitas vezes pode ter um grave impacto social e emocional.Alopecia areata é uma doença que causa perda desigual de cabelo. O tamanho e número de manchas, e o progresso da doença podem variar entre as pessoas. Pode afetar todo o couro cabeludo (alopecia totalis) ou causar a perda de todos os pêlos do corpo (alopecia universal). É uma condição relativamente comum, afetando a 0,15% da população. Embora em muitos casos possa ser uma condição auto-limitada, a perda de cabelos muitas vezes pode ter um grave impacto social e emocional.

Número, Data de publicação e autoria da PEARL

Pearl No. 93, julho de 2008, autoria:  Brian R McAvoy

Referência (estudo avaliado na PEARL – Cochrane Systematic Review)

Delamere FM et al. Interventions for alopecia areata. Cochrane Reviews 2008, Issue 1. Art. No.: CD004413. DOI:10.1002/14651858.CD004413.pub2

Esta revisão inclui 17 estudos envolvendo 540 participantes.

Comentários sobre a aplicabilidade do estudo para APS no contexto do SUS, sob o ponto de vista clínico, de gestão da saúde e para o público em geral.

A ausência de evidências de tratamentos clínicos eficazes e cientificamente embasados para a alopecia em suas diversas formas torna a abordagem da doença difícil em qualquer contexto, e a Atenção Primária deve utilizar seu arsenal de tecnologias leves para avaliar estigma, qualidade de vida e auto-estima do paciente afetado pela doença, oferecendo o apoio necessário.

É especialmente importante embasar e instrumentar a conduta do especialista (dermatologista) e favorecer a comunicação entre ele e a equipe de saúde da família para uma abordagem multidisciplinar do paciente.

Área temática que se aplica – BVS APS

Hanseníase

Saúde da criança

Saúde do adulto

Saúde do idoso

Tipo de profissional ao qual se destina a informação

Médico

Enfermeiro

Data de acesso à PEARL

25 de julho de 2010

Endereço de acesso à PEARL

http://www.cochraneprimarycare.org/sites/cochraneprimarycare.org/files/uploads/93_no%20evidence%20treatment%20alopecia.pdf